sábado, 15 de janeiro de 2011

Genebra de cadeira de rodas

Museu da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, em Genebra
(Todas as fotos pertencem ao meu acervo pessoal)


Aqui estou, atendendo a um pedido da grande amiga Milza, para escrever sobre minha viagem à Europa. Na verdade, esta viagem teve como uma das motivações visitar o Guile, filho dela, que mora em Genebra.

E lá fui eu, sozinha, falando um francês mais-ou-menos, numa viagem de 16 horas, contando desde a saída de Belo Horizonte, passando pelo atraso do avião da Air France, a perda da conexão para Genebra, a mala que não chegou. Mas eu cheguei, amassada e feliz, recebida no aeroporto de Genebra pelo Guile e seu amigo Stéphan, que seria meu acompanhante em alguns passeios pela cidade e também por Annecy, na divisa entre Suíça e França, uma cidade que desejava conhecer desde minha época de estudante de francês na faculdade.



No Café La Clémence


No aeroporto de Genebra, procurei pelo banheiro adaptado. Estava lá, mas trancado... E não encontramos o "dono" da chave. Alguém já viveu situação parecida no Brasil? Hehehe

*Atualização: o Guile me lembrou de que a chave fica em poder de um funcionário, a fim de impedir que pessoas sem deficiência utilizem o sanitário.


Ainda dentro do aeroporto, pegamos o metrô até o centro. Não é adaptado, mas é possível "escalá-lo" com ajuda. Do centro até a ex-casa do Guile, dava para ir "andando". Mas circulei muito de bonde nos dias em que estive na cidade. É bem fácil, porque há ilhas para pedestres com pontos de parada, e eles param praticamente no nível da calçada. Aperta-se um botão verde antes de entrar, para que o motorista seja alertado quanto à presença de alguém com dificuldade de locomoção (que pode ser inclusive uma mamãe com carrinho de bebê). Então, ele ficará atento e só fechará a porta (que nos demais casos funciona automaticamente) após a entrada da pessoa. Há espaço reservado para a cadeira de rodas dentro do veículo.


Esta é a parte histórica de Genebra


Genebra, situada numa das margens do Lago Léman, é uma cidade impecável: limpa, silenciosa, bem cuidada, com pessoas educadas. Encontrei nas ruas pessoas de todas as nacionalidades, com todos os tipos de roupas, falando línguas que  nunca tinha ouvido. Fantástica essa diversidade cultural! O transporte público é de fazer inveja: pense como é não ter de ficar esperando nos pontos, a não ser poucos minutos… e ainda por cima ter acesso a bondes e ônibus limpos e bem cuidados.



Túmulo de Sérgio Vieira de Mello no Cemitério de Plainpalais.Ele foi Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos e morreu em um atentado em Bagdá, no ano de 2003. 



Sede da ONU em Genebra


São pontos turísticos interessantes, entre muitos outros: a fonte Jet d’Eau, com jatos d’água de 140 m de altura; as bancas do mercado das pulgas, que vendem de tudo, desde quinquilharias até preciosidades; o Palácio das Nações, com a sede européia da ONU (nessa praça está a instalação Cadeira Quebrada, à qual falta uma perna; a escultura é símbolo da luta contra o uso e a fabricação de minas antipessoais); o Museu da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho; o Parc des Bastions, com o Muro dos Reformadores, e toda a Cidade Velha, com as construções históricas.



No Museu da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, instalação impactante fala daqueles que não têm voz nem ação. 



Frase tocante que fotografei em exposição temporária no Museu da Cruz Vermelha. 
Ela traz uma reflexão acerca dos muros que o homem construiu, no mundo inteiro,
para dividir, separar, se proteger. Lamentável.






Uma homenagem ao Mahatma Gandhi reproduz uma de suas frases que mais admiro: 
"Minha vida é minha mensagem." Quem de nós poderia dizer algo assim? 
Temos tantas frases dentro dos bolsos para distribuir como mensagens... Mas e as ações? 




Broken Chair, instalação em frente à sede da ONU. Falta uma perna à cadeira, para lembrar 
das vítimas de minas terrestres, que sofrem perda de membros em virtude da ignorância humana




Jet d'Eau: uma fonte com 140m de altura, às margens do Lago Léman. 



Recebida como uma rainha pelo Guile (à esquerda) 
e tomando um vinho com ele e seu amigo Stéphan n° 2 (à direita)


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